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Dois escaladores na parede de arenito do Morro do Cuscuzeiro, com a mata e os campos de Analândia lá embaixo

relato de via

Visual: uma das 50 clássicas do Brasil, no Morro do Cuscuzeiro

Morro do Cuscuzeiro, Analândia (SP)3 min de leitura

O Morro do Cuscuzeiro, em Analândia, fica a umas três horas de São Paulo, ou uma hora e meia de Campinas. É um morro de arenito com várias vias esportivas e tradicionais, e uma delas está no livro das 50 escaladas clássicas do Brasil: a Visual. Em maio de 2023 a gente foi passar o fim de semana lá com o Marcão e a Carol (Vatrilhar) para riscar mais uma clássica da lista.

Camping e sol

Dá para acampar no pé do morro, e o asfalto vai até o camping. Na época eram R$ 50 por pessoa, com banheiro simples, chuveiro elétrico, luz, tomada num poste e um barzinho. A estrutura de banheiro podia ser melhor pelo preço, mas resolve: dá para tomar banho, tem luz e é seguro.

As vias pegam sol forte de manhã. A partir das duas da tarde a parede entra na sombra, e é aí que o setor enche. No sábado, enquanto o sol ainda batia, o Tata entrou na Sunday Blood Sunday, um sétimo clássico do morro.

Acesso

Do camping até a base das vias são uns 650 metros: a gente levou 18 minutos subindo, com corda e todo o equipamento. Chegando, você dá de cara com o setor do sétimo grau e um quinto sup. A Visual fica ali perto.

A parede de arenito do Cuscuzeiro, com uma escaladora pequena na rocha e o vale verde ao lado a parede do Cuscuzeiro, com o vale de Analândia

As cordadas

São três cordadas, e dá para emendar a primeira com a segunda. Do alto você vê o paredão, o bico de pedra lá em cima e o Morro do Camelo ao lado (dizem que dá para chegar lá por trilha puxada, sem escalar). A terceira parada fica no biquinho.

O croqui fala de um crux de sexto grau em que é preciso meter o calcanhar. Na hora, o lance pareceu outra coisa: os pés ficam meio no ar e a saída virou um “cavalinho”. Não ficou bonito, mas valeu.

Descida

Rapel único, com as duas cordas emendadas. Não tem negativo: você desce pelo paredão até um platô. Como sempre no rapel, confira, teste e faça backup. Embaixo tem umas árvores: passe a corda pelo meio delas, não por cima, senão ela enrosca. A nossa travou na recuperação e a gente teve que montar um sistema e subir em artificial até a parada para soltar. Foi um bom treino, mas leva tempo.

Arenito: não risque a pedra

O arenito é areia compactada. Se você risca com outra pedra, a marca fica. Tem muita assinatura gravada na rocha do Cuscuzeiro. Quer marcar a sua chegada? Marque com uma foto e uma história boa, não na pedra.

A Lua de capacete apontando para nomes riscados na rocha de arenito nomes riscados no arenito: não faça isso

Vale a pena?

Sim. É perto de São Paulo e de Campinas, a aproximação é curta, dá para acampar no pé da parede e fazer uma das 50 clássicas do Brasil num fim de semana. Vá cedo para a via ou deixe para a tarde, quando chega a sombra.

Grau do nosso livro de escaladas. O relato é do que vivemos em maio de 2023. O trajeto até a base está no Wikiloc do Vatrilhar.

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