
relato de via
V de Vingança: a via mais difícil que a gente já fez no Bauzinho
Em 2022, a V de Vingança era a única das clássicas de São Bento do Sapucaí que faltava para a gente. Depois de uma semana de chuva, o domingo amanheceu perfeito, e fomos com o Igor guiando. Foi a via mais difícil que a gente já tinha feito, e um ótimo jeito de fechar a temporada de 2022: mais uma no livrinho das 50 clássicas do Brasil.
Coragem, coragem, que vai dar certo.
a frase do dia da Lua
Antes de entrar
A trilha estava uma romaria: umas quinze pessoas indo para a pedra. Uma dica de trilha: comece de camiseta, mesmo com frio. O corpo esquenta rápido e você não atrasa o grupo parando para tirar o casaco.
Na primeira vez numa via que você não conhece, a gente sempre recomenda ir com um guia local: você pega a beta, entende como o lugar funciona e sabe o que fazer se precisar de ajuda.
Marimbondos. Tem marimbondo nas fendas. Como dentro da fenda ainda está frio de manhã, eles ficam calmos. Comece cedo e não atice os bichos.
As cordadas
1ª cordada. Uma semifenda, mais um diedro do que uma fenda. Linda. A Lua escorregou uma vez e ficou pendurada, mas foi uma brincadeira boa. A vista do Baú daqui é privilegiada.
2ª cordada: a travessia. Um quarto, quinto grau tranquilo, mas atenção: se cair, você pendula para o lado, na exposição do Baú. A dica é descer um pouquinho, onde tem pé e mão, em vez de ir reto na horizontal, onde tem pé mas não tem mão. Para quem vem de segundo, descer um pouco também é mais tranquilo para a cabeça. É o pé que manda: vá encaixando e confie.
a travessia
3ª cordada: o crux de VIIa. Disseram para a Lua que o crux estava na quarta cordada. Ela achou que tinha sido enganada, mas na verdade foi ela que guardou errado: o crux é na terceira. A Lua tentou três vezes, não mandou, ganhou altura puxando a corda e fez o resto por uma variante. O que ajuda: decore a linha de pé antes de entrar nas agarras, porque lá em cima fica ruim de enxergar o pé; pegue a agarra da direita, junte a mão no reglete, trabalhe os pés e vá para a direita.
4ª cordada: a travessia delicada. Uns 37 metros de travessia em aderência, muito bonita, delicada, com bastante tempo de tensão. O Igor deixou bem protegida com peças móveis, e isso muda a cabeça. Para quem é mais baixo, algumas agarras ficam longe: peça para a segurança deixar a corda justa. O Tata só começou a escalar quando a Lua chegou a um platô com agarrões, e a corda dele virou a linha de vida dela.
5ª cordada. Rápida e divertida, quase esportiva, com agarras de oposição e muito trabalho de pé.
6ª cordada. Mais fácil e muito bonita.
7ª cordada. A última, até o cume do Bauzinho, onde sempre tem gente tirando foto.
a exposição do Bauzinho
Vale a pena?
É uma via sensacional, mas pede preparo: todas as cordadas têm esforço de ginásio, com oposição, pé e força. Antes de ir, vale treinar e se consolidar no quinto grau e pegar uns sextos. E vá cedo: às duas e meia da tarde o sol já pega a parede.
Grau da descrição do nosso vídeo e do guia de escaladas da Pedra do Baú do Eliseu Frechou. O relato é do que vivemos na via em 2022.
a história completa



