
relato de via
Peter Pan: seis cordadas fluidas até o cume da Ana Chata
A Peter Pan foi escolha da Lua. Em 2022, ela estudou o croqui antes e chegou na trilha sabendo tudo da via. Fomos em seis, em duas cordadas de três: a Lua com o Henrique (@henrique_climb) e a Carol, e o Tata com o Marcão e o Denis. Em abril de 2024 a gente voltou, só nós dois, guiando.
É uma via de seis cordadas na Pedra Ana Chata, com o Baú no visual. Termina no cume da Ana Chata, e as duas últimas cordadas são as mesmas da Lixeiros.
Me senti mais no ginásio. Mais fluida, não fiquei tão travada nos lances.
a Lua, no cume
Acesso
A trilha sai do estacionamento e passa por uma cerquinha de boi. Logo depois tem um brejo: não atravesse pelo meio, contorne seguindo a cerca e pise nas pedrinhas, senão atola. A uns 800 metros do estacionamento tem uma área boa para descansar no meio das araucárias (e, na época, cheia de pinhão no chão).
Mais à frente, numa subida com uns boulders grandes embaixo e araucárias, a trilha principal segue pela esquerda para as bifurcações do Baú e do cume da Ana Chata. Quem vai escalar entra numa trilhinha menor ali, a trilha dos escaladores. Subindo, fique de olho nas quebradas para a esquerda marcadas com pilhas de pedra (totens). Ela chega direto na base da Peter Pan. Para as outras vias, siga margeando a parede para a direita.
Abelhas. Logo na saída da via, numa viradinha da pedra, mora uma colmeia. Passe rápido e em silêncio, sem alvoroçar.
As cordadas
Saindo do chão. O primeiro crux é logo no começo: o primeiro pé é bem alto e a primeira proteção também fica alta.
1ª e 2ª cordadas. Agarrões, um pouco de reglete, bastante aderência no pé. Tranquilas. Com corda de 60 m, dá para emendar as duas.
3ª cordada: o diedro. O segundo crux é um diedro gostoso, mas com um movimento em agarras bem pequenas em que você precisa trabalhar bem o pé. Para quem é baixinho, aperta: tem que ganhar altura de pé com mão ruim. Depois aparece uma fenda para se apoiar e dá para tocar para cima, ainda com muito pé. A 3ª e a 4ª também dá para emendar com 60 m.
Saída da 4ª parada. Olhando de baixo, parece que é só subir reto por um mundo de agarrões. Não é. Saia da parada para a esquerda, mesmo que não pareça o caminho. Reto, você entra numa encrenca, a escalada fica mais difícil e você gasta muita energia.
5ª e 6ª cordadas. Para emendar as duas você precisa de uma corda de 70 m; com 60 m faltam poucos metros. A última cordada é parecida com a Cresta do Baú: você vai pelo bico de pedra até o fim, com o Baú ao fundo. Como ela é mais horizontal, leve peças móveis. A gente usou três peças pequenas, para a cabeça de quem guia e para direcionar a corda de quem vem de segundo, que senão dá medo.
no cume da Ana Chata, depois de seis cordadas
Descida
A via termina no cume da Ana Chata, e a descida é a pé, pela mesma trilha que os turistas usam para subir a pedra. Contamos os detalhes, inclusive a passagem escura e apertada, no relato da Lixeiros.
Vale a pena?
Muito. A Lua gostou mais dela do que da Incrível Galba Atayde, no Bauzinho: é uma via fluida, com muita oposição e aderência. Em seis pessoas o dia foi longo, mas terminou do jeito certo: café no cume com os amigos.
Tem que meter as caras, tem que ir. Não tem muito o que pensar, não.
a Carol, para quem está começando
Grau e número de cordadas vêm do título do nosso vídeo de 2022 e do relato do Henrique no cume. Na descrição do vídeo indicamos o guia de escaladas da Pedra do Baú do Eliseu Frechou e o trajeto no Wikiloc.
a história completa



