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A Lua de capacete numa parada da Lixeiros, com o Tata na parede e a Pedra do Baú ao fundo

relato de via

Lixeiros: a fenda clássica da Pedra Ana Chata, duas vezes

Pedra Ana Chata, São Bento do Sapucaí (SP)5 min de leitura

A Lixeiros é uma das fendas mais bonitas da Pedra Ana Chata, e a gente já fez duas vezes. A primeira foi em 2022, com o Henrique (@henrique_climb), o Marcão e a Carol (Vatrilhar), algumas semanas depois da Peter Pan. A segunda foi em abril de 2024, para abrir a temporada, só nós dois. Fazia tempo, a gente não lembrava mais da via, levou o croqui no bolso e o Tata lançou um desafio: dessa vez, a Lua guiaria.

A via foi conquistada em 1989 pelo Adalbert Kolpatzik (Adi) e pelo Galba Athaíde, com o material da época. Segundo a AltaMontanha, o Clube Alpino Paulista é o responsável por ela.

A montanha sempre tem alguma coisa para ensinar pra gente.

a Lua, no meio da via

Acesso

São uns 2 km e 40 minutos de trilha até a base, e os primeiros 700 metros são a pirambeira mais braba. Depois a inclinação continua, mas alivia e a trilha entra na sombra. Na parte de baixo, a menos de 100 metros do começo da trilha, tem um ponto de água encanada. A gente não recomenda beber sem tratar: leve cloro para a garrafinha e pegue a água do cano, não a parada.

Mais para cima, a trilha comum segue para o cume da Ana Chata e para os caminhos do Baú e do Bauzinho. Quem vai escalar pega um atalho pelo mato que chega direto na base da pedra. A Lixeiros fica ao lado da Peter Pan, numa fenda que não tem como confundir.

As cordadas

1ª cordada. Curtinha. Tem um lance na primeira costura, uma viradinha, e depois sobe tranquilo. Dá para ir pela fenda ou por fora dela. Dá para emendar com a segunda, mas logo depois tem uma barriga na pedra e a fenda de oposição, e a corda fica pesada. A Lua preferiu montar a parada ali e chamar o Tata.

Vespas. Nas duas vezes tinha vespa e marimbondo na via, já desde a primeira parada. A Lua chegou a pôr a mão em uma. No inverno costuma ser mais tranquilo. Não fique parado muito tempo perto delas.

2ª cordada: o crux. É a cordada mais legal da via: uma fenda que você passa em oposição, pegando na fenda, pesando o corpo todo para trás e chapando o pé. Tem quem prefira entrar na fenda. Para costurar com calma antes da oposição, a Lua entalou um punho e ficou firme. Para quem é mais baixo, até uns 1,60 m, tem um lance fixo difícil: depois de costurar dentro da fenda, você precisa de uma transferência bem aberta. Quem tem 1,70 m passa de boa. Se não chegar, dá para se puxar na fita, ou pedir para o parceiro mais alto deixar uma fita lá.

O Henrique, em 2022, deu uma dica para quem leva móvel: com peça, uma queda te mantém na linha da fenda. Com as chapas, que ficam fora dela, você balança um pouco para fora.

3ª cordada. Mais tranquila que a segunda. A Lua parou numa parada no meio do caminho que não precisava, porque ficou na dúvida se estava indo para o lugar certo e a corda pesava de arrasto. Depois vem uma travessia fácil, mas que pede atenção: se você cair ali, pendula.

Varamato. Um trecho em que você caminha no mato, passando a costura em volta das moitas. O Tata tocou essa parte e montou a parada seguinte.

O rampão. Uma cordada fácil, que você quase sobe andando. Para não errar o caminho, siga as agarras mais branquinhas: elas perderam a cor de tanto magnésio. (A gente parou de usar magnésio, só quando está muito quente.)

Última cordada. É a mais fácil e, para a gente, a mais bonita. A parada fica quase no cume, e de lá a Lua deu segurança para o Tata. Você anda numa cristinha com vista para os dois lados: o Baú atrás, a face por onde a gente subiu e a face sul. Fique de olho na face sul: é de lá que costuma vir a chuva, e escalando você não vê ela chegando.

O Tata e a Lua de capacete na crista do cume da Ana Chata, com a Pedra do Baú entre as nuvens ao fundo a crista do cume, com o Baú aparecendo entre as nuvens

Descida

A pé, pela mesma trilha que os turistas usam para subir a Ana Chata. É bem mais seguro do que rapelar a via. Não precisa de cadeirinha nem solteira, como na ferrata do Baú, mas tem uma passagem escura e apertada: se você tem claustrofobia ou medo do escuro, leve lanterna.

O que mais levar

A gente passou a levar rádio para as vias de parede, porque o vento e a distância da corda atrapalham a comunicação, e um comunicador por satélite (GPS) que manda mensagem e a localização para pedir resgate. A via é toda chapeada, então peça móvel é opcional. Mas se você tiver, leve: as duas primeiras cordadas são um ótimo treino de colocação.

Vale a pena?

É uma clássica de São Bento por um motivo: uma fenda bonita, um crux técnico, e um cume com uma das melhores vistas do Baú. É ótima para abrir a temporada, e foi a via em que a Lua guiou quase tudo, do começo ao cume.

Conquista, ano e extensão vêm da reportagem da AltaMontanha (2021). O grau é o mesmo do nosso vídeo de 2022 e do nosso livro de escaladas. O beta é do que vivemos na via em 2022 e em abril de 2024. Vídeo de 2022: Escalando a Via Lixeiros.

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