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Rocha do Itatiaia com as caneluras, os sulcos de erosão típicos do parque

relato de via

Oba-Oba: escalando até o cume do Pico das Agulhas Negras

Pico das Agulhas Negras, Itatiaia (MG)5 min de leitura

No primeiro dia da nossa viagem ao Itatiaia, no feriado de 1º de maio de 2025, a gente não subiu o Agulhas Negras pela trilha que todo mundo faz. Com o Marcos Varella, do canal Vatrilhar, fomos por uma das vias clássicas da montanha: a Oba-Oba, três cordadas curtas que terminam a poucos passos do cume.

Foi uma escalada rápida, mas cheia de detalhe: uma saída de equilíbrio que dá para fazer em A0, uma parada que você mesmo monta laçando um bloco, um pulo no meio da última cordada e o mar de nuvens lá de cima. Abaixo vai tudo o que a gente gostaria de ter sabido antes de ir.

Como chegar na base

A Oba-Oba fica no Pico das Agulhas Negras, na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. A entrada é pelo Posto Marcão, em Itamonte (MG), com o ingresso comprado antes. Do posto, segue a trilha principal do Agulhas.

No caminho tem um riacho lindo onde dá para pegar água. Para continuar podendo beber dela: xixi longe da trilha e, para o número dois, traga o seu kit.

A Lua descendo uma laje de pedra na trilha do Pico das Agulhas Negras a trilha é pedra, pedra e mais pedra

Antes da base tem um rampão de pedra que a gente sobe sem corda. Aqui faz diferença uma bota boa de trilha com solado de aderência, com a borracha parecida com a de sapatilha. Se você não tem experiência em montanha, esse é um dos motivos para vir com guia.

1ª cordada: o lance de equilíbrio

A dica número um: traga um clipstick. A primeira chapa está baixa, mas com o clipstick você já costura a segunda e evita uma queda no platô se o lance de saída não sair.

O lance é de equilíbrio. O que funcionou para a gente:

  • chegue com o pé esquerdo o mais perto da chapa que conseguir e deixe o direito livre para abrir na aderência;
  • as mãos são dois abaulados de contra: transfere rápido para uma agarra boa logo acima, e a partir dali a mão fica boa e é trabalhar os pés;
  • não quer mandar em livre? A0: puxa na costura da primeira chapa e traz o corpo até a agarra boa.

Pela régua do Itatiaia a saída é um 6º. Quem vai de top e não consegue o lance tem outra saída, que funcionou com a gente: cair na corda, se empurrar para a direita e pegar o começo da fendinha onde fica a segunda chapa.

Depois vem uma canaleta que vira uma pequena chaminé e uma transferência para o lado com agarras boas. A parada tem o grampo original da conquista e uma chapeleta nova com argola. Se quiser desistir dali, dá para rapelar.

Escaladora na base de um paredão do Itatiaia, pequena diante da rocha o tamanho das paredes do Itatiaia

2ª cordada: joelho, canaleta e parada laçada

A saída da segunda é esquisita. O beta que funcionou: pé direito aberto na canaleta, entalamento de joelho e uma agarra abaulada, mas bem abrasiva, para crescer até um bico onde dá para juntar as mãos. Daí costura e segue para a esquerda numa canaleta diagonal que é quase uma fenda (dá para descansar de chicken wing). Depois de uma barriga, costure antes da virada e siga pelo rampão.

Não tem parada no fim da segunda cordada. Você precisa laçar um bloco. A gente levou uma fita de 1,60 m e achou pouco. Leve uma fita tubular de nylon de uns 2 m ou um cordelete de 6 a 7 mm; fita de dyneema esfola rápido nessa pedra.

Chegando ali, entre mais pela esquerda, vire o bloco e respire antes de montar o sistema. É um lugar seguro, dá até para ficar sentado esperando o resto da cordada.

3ª cordada: o pulo

Da parada, um rampão bem de trilha, sem proteção. Até dá para tentar laçar alguma coisa, mas a laçada da gente saiu com o balanço da corda. Com atenção, dá para progredir tranquilo.

Aí você chega no bico do pulo: tem um agarrão em cima. A Lua, que é baixinha, fez em estático. Com 1,75 m, o Tata só deitou o corpo na parede e alcançou. Depois é força numa barra, mais agarrão e você está num platô confortável.

Também não tem parada aqui. A gente laçou um bico bem cavado pela erosão com um cordelete de 7 mm, laçou um segundo bico com uma fita emendada, equalizou os dois num ponto central e deu segue de guide para quem vinha atrás.

A Lua comemorando sentada numa pedra, de braços abertos, com as agulhas de pedra atrás bora!

Cume e descida

Do platô ao cume é sobe pedra e desce pedra. Lá em cima tem o livro de cume para assinar e, com sorte, mar de nuvens com a Serra Fina e a Pedra da Mina no horizonte.

A descida é de rapel até a trilha principal, chegando bem perto de onde começa a via. Nas passagens da rota normal costuma ter cordas fixas, mas são os guias que colocam. Mais um motivo para quem não tem experiência em montanha vir acompanhado.

Na volta, o Tata contou da nossa primeira vez no Agulhas, quando fizemos a longitudinal entrando pela Chaminé dos Estudantes e passamos pelos quatro cumes. Essa história está no vídeo.

Vale a pena?

Muito. É uma via curta, mas é um jeito diferente de chegar no cume mais famoso do Itatiaia, com lances de verdade de escalada em montanha: saída de equilíbrio, paradas laçadas em bico de pedra e o pulo. Assista ao vídeo para ver cada lance de perto.

a história completa

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O carrossel

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