
relato de via
Oba-Oba: escalando até o cume do Pico das Agulhas Negras
No primeiro dia da nossa viagem ao Itatiaia, no feriado de 1º de maio de 2025, a gente não subiu o Agulhas Negras pela trilha que todo mundo faz. Com o Marcos Varella, do canal Vatrilhar, fomos por uma das vias clássicas da montanha: a Oba-Oba, três cordadas curtas que terminam a poucos passos do cume.
Foi uma escalada rápida, mas cheia de detalhe: uma saída de equilíbrio que dá para fazer em A0, uma parada que você mesmo monta laçando um bloco, um pulo no meio da última cordada e o mar de nuvens lá de cima. Abaixo vai tudo o que a gente gostaria de ter sabido antes de ir.
Como chegar na base
A Oba-Oba fica no Pico das Agulhas Negras, na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. A entrada é pelo Posto Marcão, em Itamonte (MG), com o ingresso comprado antes. Do posto, segue a trilha principal do Agulhas.
No caminho tem um riacho lindo onde dá para pegar água. Para continuar podendo beber dela: xixi longe da trilha e, para o número dois, traga o seu kit.
a trilha é pedra, pedra e mais pedra
Antes da base tem um rampão de pedra que a gente sobe sem corda. Aqui faz diferença uma bota boa de trilha com solado de aderência, com a borracha parecida com a de sapatilha. Se você não tem experiência em montanha, esse é um dos motivos para vir com guia.
1ª cordada: o lance de equilíbrio
A dica número um: traga um clipstick. A primeira chapa está baixa, mas com o clipstick você já costura a segunda e evita uma queda no platô se o lance de saída não sair.
O lance é de equilíbrio. O que funcionou para a gente:
- chegue com o pé esquerdo o mais perto da chapa que conseguir e deixe o direito livre para abrir na aderência;
- as mãos são dois abaulados de contra: transfere rápido para uma agarra boa logo acima, e a partir dali a mão fica boa e é trabalhar os pés;
- não quer mandar em livre? A0: puxa na costura da primeira chapa e traz o corpo até a agarra boa.
Pela régua do Itatiaia a saída é um 6º. Quem vai de top e não consegue o lance tem outra saída, que funcionou com a gente: cair na corda, se empurrar para a direita e pegar o começo da fendinha onde fica a segunda chapa.
Depois vem uma canaleta que vira uma pequena chaminé e uma transferência para o lado com agarras boas. A parada tem o grampo original da conquista e uma chapeleta nova com argola. Se quiser desistir dali, dá para rapelar.
o tamanho das paredes do Itatiaia
2ª cordada: joelho, canaleta e parada laçada
A saída da segunda é esquisita. O beta que funcionou: pé direito aberto na canaleta, entalamento de joelho e uma agarra abaulada, mas bem abrasiva, para crescer até um bico onde dá para juntar as mãos. Daí costura e segue para a esquerda numa canaleta diagonal que é quase uma fenda (dá para descansar de chicken wing). Depois de uma barriga, costure antes da virada e siga pelo rampão.
Não tem parada no fim da segunda cordada. Você precisa laçar um bloco. A gente levou uma fita de 1,60 m e achou pouco. Leve uma fita tubular de nylon de uns 2 m ou um cordelete de 6 a 7 mm; fita de dyneema esfola rápido nessa pedra.
Chegando ali, entre mais pela esquerda, vire o bloco e respire antes de montar o sistema. É um lugar seguro, dá até para ficar sentado esperando o resto da cordada.
3ª cordada: o pulo
Da parada, um rampão bem de trilha, sem proteção. Até dá para tentar laçar alguma coisa, mas a laçada da gente saiu com o balanço da corda. Com atenção, dá para progredir tranquilo.
Aí você chega no bico do pulo: tem um agarrão em cima. A Lua, que é baixinha, fez em estático. Com 1,75 m, o Tata só deitou o corpo na parede e alcançou. Depois é força numa barra, mais agarrão e você está num platô confortável.
Também não tem parada aqui. A gente laçou um bico bem cavado pela erosão com um cordelete de 7 mm, laçou um segundo bico com uma fita emendada, equalizou os dois num ponto central e deu segue de guide para quem vinha atrás.
bora!
Cume e descida
Do platô ao cume é sobe pedra e desce pedra. Lá em cima tem o livro de cume para assinar e, com sorte, mar de nuvens com a Serra Fina e a Pedra da Mina no horizonte.
A descida é de rapel até a trilha principal, chegando bem perto de onde começa a via. Nas passagens da rota normal costuma ter cordas fixas, mas são os guias que colocam. Mais um motivo para quem não tem experiência em montanha vir acompanhado.
Na volta, o Tata contou da nossa primeira vez no Agulhas, quando fizemos a longitudinal entrando pela Chaminé dos Estudantes e passamos pelos quatro cumes. Essa história está no vídeo.
Vale a pena?
Muito. É uma via curta, mas é um jeito diferente de chegar no cume mais famoso do Itatiaia, com lances de verdade de escalada em montanha: saída de equilíbrio, paradas laçadas em bico de pedra e o pulo. Assista ao vídeo para ver cada lance de perto.
a história completa
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pra salvar e mandar pro parceiro de cordada
O carrossel











