
relato de via
Transbaú: a via mais longa que já fizemos na Pedra do Baú
A Transbaú estava engasgada com a gente. Na primeira tentativa, em outubro de 2023, a previsão virou no meio da via, a gente abandonou, desceu pela via ferrata e a chuva caiu em São Bento do Sapucaí logo que entramos no carro. Ninguém se machucou e ninguém se molhou, mas o vídeo ficou na gaveta.
Em abril de 2024 voltamos para terminar. Foi a nossa primeira via de verdade na Pedra do Baú, sem contar a Normal e a Cresta, e a mais longa que já fizemos por lá: são 280 metros e 8 cordadas na face norte, uma das clássicas do Baú.
Fomos em duas cordadas. O Tata escalou com o Henrique (@henrique_climb), parceiro de várias vias do canal. A Lua fez uma cordada só de mulheres com a Dani (@dani_na_montanha), que foi a guia dela no dia. Combinou com a via: a Transbaú foi conquistada em 2011 por uma mulher, a Karina Filgueiras, escalando sozinha.
Essa aqui já é uma via mais power: tem crux que tem que apertar com gosto.
no cume, no fim do dia
Antes de sair
O Petzl ficou no Hotel Pet Lucão, que fica no caminho das portarias do Baú. Dentro do Monumento Natural da Pedra do Baú cachorro não entra na escalada nem na trilha.
E confira a mochila antes de sair do carro. A Lua esqueceu a sapatilha, percebeu depois de uns dois minutos de trilha e teve que voltar até a pousada. Como a previsão estava firme, deu tempo, mas numa via longa esse tipo de atraso pesa.
Acesso
A gente saiu do estacionamento do Chico Bento, pela trilha que leva à face norte do Baú. São uns 40 minutos e 1,8 km por uma trilha bem marcada, primeiro por dentro do bosque, mais fresquinho. Depois vêm uns 200 metros de subida bem inclinada até o pé da via, o primeiro “crux” do dia. Faça no seu ritmo: é aqui que você chega na parede já suado.
As cordadas
A saída. A via começa com um lance de boulder baixinho. Dá para abraçar a laca da direita e chapar o pé, e tem mais de um beta para sair do chão.
1ª e 2ª cordadas. Dá para emendar as duas e montar a primeira parada onde seria a segunda. Aqui embaixo tem pedra ruim, que pode quebrar: use capacete desde o começo e teste a agarra antes de confiar o peso nela.
Marimbondos. Tem marimbondo na via, e eles atrasaram a gente. Vá preparado para passar com calma.
4ª e 5ª cordadas: os crux. Depois da terceira cordada vêm os trechos mais duros. Pelos croquis, a 4ª tem o tetinho “Estrela Fugaz” (VIsup) e a 5ª o teto “Space Station” (VIIa). Na nossa experiência: o primeiro crux é de 6º grau e o segundo, de 7º. Num dos trechos mais duros, a Lua chegou num ponto em que as agarras somem, sobram regletes, e a saída foi ir um pouco para a esquerda, onde tem uma agarra melhor, e confiar num pé bem pequeno que quase não dá para ver.
Até o cume. Dali para cima ainda são mais umas cinco cordadas, terminando perto das escadinhas da via ferrata, ao lado da bolota de pedra onde a Lua tirou foto na primeira vez que veio ao Baú. Os croquis ainda apontam um diedro de VIIa na 8ª cordada, o “Chuva de Perceidas”.
a cordada feminina da Transbaú
Descida
Do cume a gente desceu pela via ferrata, as escadinhas da face norte, e voltou pela trilha. Dá para rapelar com duas cordas até a P5, mas o nosso conselho é evitar o rapel quando existe uma descida segura. A ferrata é um passeio por si só.
Quanto tempo leva
Escalando mesmo, foram umas duas horas e meia. O dia ficou bem mais longo com as paradas para foto, os marimbondos e o vídeo. Às 16h30 a gente já estava embaixo, com foto no cume e a descida feita. Saia cedo e olhe a previsão: foi a chuva que nos tirou da via da primeira vez.
Vale a pena?
Muito. É uma via bonita, longa, com crux que fazem você trabalhar, mas toda protegida em móvel e com opções de fuga pela escadaria em alguns pontos. Se você ainda não tem autonomia em via longa tradicional, vá com guia. A gente foi com o Henrique e a Dani, que fazem guiadas em São Bento do Sapucaí.
Os dados técnicos da ficha (grau, extensão, cordadas, nomes dos crux e equipamento) vêm dos croquis publicados no Escaladas.com.br e no Escaladas Clássicas. Os graus variam um pouco entre as fontes. O resto é o que vivemos na via em abril de 2024.
a história completa



