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Blocos de pedra do alto do Agulhas Negras contra o céu azul, com um escalador de capacete subindo entre eles

relato de via

Chaminé dos Estudantes e a travessia do Cume Sul à Chapada da Lua, no Agulhas Negras

Pico das Agulhas Negras, Itatiaia (MG)3 min de leitura

Um ano depois da primeira vez no Itatiaia, a gente voltou com uma escalada que estava na lista havia muito tempo: a Chaminé dos Estudantes, uma clássica do Agulhas Negras, emendada numa travessia pelo alto da montanha até a Chapada da Lua. Fomos com o Gabis, guia local, que conhece os labirintos do Agulhas como poucos. Ficamos no Hostel Picus.

Para a mochila, modo ultraleve: pote trocado por saquinho zip, pluma e gorro de fora, e todo mundo saiu já de cadeirinha e capacete.

Aproximação

A trilha é a principal do Agulhas Negras. A uns 30 minutos tem um ponto de água pura, direto da montanha: dá para encher a garrafa. Use o banheiro do começo da trilha antes de sair.

Da trilha, você vê a montanha cortada por uma diagonal de pedra mais clara. A Chaminé dos Estudantes começa no fim dessa diagonal, onde aparece uma florestinha, e sobe por uma grota até lá em cima.

A Chaminé dos Estudantes

É uma chaminé justa e desconfortável, de escalada de corpo inteiro: costas numa parede, pés na outra, um pé para frente e outro para trás. O Gabis mostrou a técnica de apoiar o pé esquerdo de ponta e calcanhar, travando como um entalamento. Mas a maior parte é intuitiva: o corpo pede o movimento.

  • Mochila: atrapalha muito. Em alguns trechos, a gente passou a mochila pendurada na cadeirinha ou entregou para quem estava em cima.
  • Saída da chaminé: num lance, você pega numa borda boa, em oposição, e o pé sai da chaminé. A dica é pisar no grampo para ganhar altura. Quem quiser pode pegar na costura.
  • Sapatilha: a da Lua estava gasta e deslizando, e isso faz falta na aderência.

Escalada dentro da Chaminé dos Estudantes, entre duas paredes de pedra, com a corda vermelha dentro da chaminé

Canaletas e cumes

Depois da chaminé ainda tem muito lance de montanha: escalaminhadas, canaletas e passagens entre blocos. A gente suou mais nas escalaminhadas do que na chaminé. Para descer as canaletas, as mãos são o freio e o pé vai buscando onde trava. Teve até espacate e passagem sentada entre dois blocos.

No caminho, a gente assinou o livro de cume do Cume Sul e passou pelo Cruzeiro, o cume mais visitado, onde chega a galera que sobe pela trilha do Pontão. Lá do alto, a Serra Fina aparece inteira, e as Prateleiras ficam minúsculas.

Vista do alto do Agulhas Negras, com os campos de altitude e as montanhas do Itatiaia ao fundo o planalto do Itatiaia visto do alto

Chapada da Lua e volta

A travessia termina na Chapada da Lua, que também dá para alcançar por trilha, sem escalada técnica. Mas a navegação dentro do Agulhas Negras é muito complicada. Se você não tem experiência de montanha e quer conhecer, venha com guia. Saímos na Chapada e chegamos ao Abrigo Rebouças no pôr do sol, cansados e felizes.

Vale a pena?

Muito, mas não é para iniciante, a não ser com guia e em grupo pequeno. É um dia longo e trabalhoso, que mistura tudo: chaminé, aderência, canaleta, escalaminhada e mato. E ir com alguém do lugar, que cuida e preserva a montanha, ensinou mais do que a escalada.

A gente ama a montanha justamente por todo o rolê que ela proporciona, além da escalada em si.

legenda do nosso vídeo

O relato é do que vivemos na travessia, guiados pelo Gabis. Para a outra clássica do Agulhas, veja o relato da Oba-Oba.

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