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O Tata e a Lua de capacete numa parada da Expressa, com a caatinga e os inselbergs de Itatim ao fundo

relato de via

Expressa: seis enfiadas de agarrão no Morro da Toca, em Itatim

Morro da Toca, Itatim (BA)2 min de leitura

No dia seguinte ao Arco da Toca, a gente estava cansado e queria escalar sem sofrer. A escolha foi a Expressa, outra via conhecida do Morro da Toca, em Itatim. Não está entre as 50 clássicas, mas é longa: 180 metros em seis enfiadas, só nós dois.

O dia ajudou: nublado, com um vento fresco que, no calor da Bahia, é ar-condicionado. A gente começou às duas da tarde, depois do almoço e de uma soneca, e a trilha até a base levou uns três minutos.

Achando a base

A base fica depois da do Arco da Toca, numa sequência de vias lado a lado. A gente foi contando as chapas e conferindo o croqui até achar a certa. Leve o croqui e confira antes de sair do chão.

As enfiadas

Não é uma via difícil. É mais o gosto de estar na montanha do que de escalar duro. A rocha tem uma aderência ótima e muito agarrão: quando você põe a mão, é agarrão de verdade.

  • 1ª a 3ª enfiadas: fáceis, com poucas chapas. A terceira é um terceiro sup um pouco mais vertical.
  • 4ª enfiada: mais vertical e mais emocionante, mas cheia de agarrão.
  • 5ª enfiada: um esticão de uns 54 metros, com uma parada intermediária no meio que o pessoal usa para rapelar. Tem poucas costuras, e um não vê o outro: os radinhos salvaram. Como não tem chapa para guiar, você fica na dúvida se está no lugar certo. A Lua seguiu a regra do magnésio e das marcas de sapatilha. Tem lances curtos mais expostos, cactos com espinho perto da parada e algumas lacas soltas: cuidado com a corda.
  • 6ª enfiada: a aresta, a mesma do fim do Arco da Toca. Na véspera a gente tinha passado por fora; desta vez foi por dentro do diedro.

Os inselbergs de Itatim, morros de pedra isolados no meio da caatinga verde os inselbergs vistos do Morro da Toca

Cume e descida

Ficamos um tempão no cume, vendo a chuva cair do outro lado dos morros com o sol batendo. A descida é por trilha, seguindo os totens de pedra. A trilha tem uma parte exposta e uma escadinha, e é fácil errar: a gente deu umas voltas a mais.

Vale a pena?

Sim, principalmente se você quer começar a fazer parede. É longa, fácil, tem vento, vista para os inselbergs e dá uma boa ideia de como é a pedra de Itatim. Se é sua primeira vez em Itatim, é a via para conhecer a pedra.

Grau e extensão do nosso livro de escaladas. Fomos em maio de 2024. Para chegar, ficar e comer em Itatim, veja o relato do Arco da Toca.

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