
dica
Dois dias de fenda e off-width em Sapopema com a Brazilian Climber Girl
A gente já escalava fenda, mas fenda de mão, dos entalamentos mais comuns. Off-width e finger crack eram outra conversa. Por isso fomos a Sapopema, no interior do Paraná, fazer o curso de dois dias da Gisely, a Brazilian Climber Girl, que acontece duas vezes por ano. A gente já tinha falado dela no post sobre onde escalar off-width no Brasil.
A Gisely escala há 25 anos. Foi escaladora de esportiva, chegou ao 8a, e começou no tradicional quando foi a Yosemite, olhou para o El Capitan e quis subir. Hoje vive nos Estados Unidos e guia projetos de fenda por lá.
Como chegar e onde ficar
Sapopema fica a uns 300 km de Curitiba, umas 4h30 de carro. O Petzl ficou na Chácara Vira e Late, perto de Curitiba, porque o lugar do curso, apesar de aceitar cachorro, não tem cerca nem grade.
O curso foi num camping com boa estrutura: banheiros novos com chuveiro elétrico e cabideiro, cozinha comunitária com fogão e geladeira, churrasqueiras e alguns chalés. O lugar é mais conhecido pelas cachoeiras do que pela escalada: abre no verão e fecha no inverno, menos em evento.
O curso
Teoria. Começou com algumas horas de aula e um livrinho com desenhos das posições de mão e pé para cada entalamento. A parte mais legal: achar o paralelo entre o seu corpo e as peças. Cada um descobre que o seu dedo é um 0.5, que a mão é um 1.5, e assim por diante. Isso ajuda a organizar o rack e a saber qual peça vai entrar antes de olhar.
Luva de fita. Depois, montar a luva de fita, que protege a mão da abrasividade da rocha. Tem vários jeitos de montar, e também luvas prontas, de couro ou borracha. Teste várias e veja qual combina com você.
a luva de fita, antes de virar terra
Primeiro dia: finger crack. A Lua começou nas fendas de dedo com o Otaviano, outro instrutor do curso, e deixou o off-width para o fim do dia, já cansada. Foi também a primeira vez que um ring lock “serviu certinho e fez sentido” para a gente. O segredo do entalamento: os dois pés, os joelhos e os cotovelos alinhados com a fenda, como um bloco sólido. Quando você começa a jogar o corpo para um lado e para o outro, desorganiza tudo.
Segundo dia: off-width. A gente pediu para focar no off-width: a fenda que não chega a ser chaminé, mas é larga demais para a mão. É o entalamento do corpo inteiro: joelho, quadril, chicken wing com o braço. O movimento é tirar o quadril, subir a perna, entrar de novo, entalar e relaxar. Uma dica da Gisely para peças grandes: em off-width, coloque a peça mais longe do corpo, senão ela vira um nut em você. Outra dica que ficou: quando achar um descanso, descanse e leia o próximo trecho, sem gastar a força toda de uma vez.
aprendendo a entalar
O que levar
- Joelheira: ralamos joelho e cotovelo. Para off-width, faz falta.
- Fita: para a luva, e para refazer no segundo dia.
- Travesseiro: no camping, use a jaqueta de pluma enrolada como travesseiro. Se levar um inflável, não encha até o fim: cheio demais, ele machuca a orelha.
- Bota para a trilha: a trilha até a base é curta, mas instável, íngreme e perigosa.
Valeu a pena?
Foi dinheiro bem investido. As fendas de Sapopema são tão perfeitas que nem parece que você está no Brasil, e passar dois dias aprendendo os truques da Gisely e do Otaviano deixou a gente com um repertório de movimentos novo. Como ela disse: com repertório, se aparecer uma aderência, um boulder ou uma fenda, você sabe escalar.
O relato é do que vivemos no curso. Para informações de datas e inscrição, fale direto com a @brazilianclimbergirl.
a história completa



