
guia do lugar
Huayna Potosí: como foi a nossa primeira montanha de 6.000 metros, na Bolívia
Em outubro de 2022, a gente foi para a Bolívia com um objetivo: subir a primeira montanha de 6.000 metros da nossa vida, o Huayna Potosí, com 6088 metros. Para chegar lá em cima, foram quase duas semanas de aclimatação, subindo montanhas cada vez mais altas. O guia foi o Julio, da @gecko_bo, indicação do Azeite. A série inteira está na aba Expedições.
Para a gente, a subida é a parte mais gratificante, e a vista do cume é um presente.
da descrição do nosso vídeo do cume
A aclimatação, passo a passo
O segredo de uma montanha de 6.000 metros é a aclimatação: dar tempo para o corpo se acostumar com o ar rarefeito, subindo alto e voltando para dormir mais baixo.
1. La Paz (3.600 m). Os primeiros quatro dias foram de turismo na cidade, que já fica a 3.600 metros, com pontos de 4.000. Sem agenda fixa: caminhar, comer e deixar o corpo se ajustar. Na Calle Sagárnaga ficam as agências de aventura. A sensação térmica de manhã era de -3 °C.
2. Laguna Charquini (5.000 m). Uma caminhada leve e um clássico de La Paz, que fizemos com a Feel Bolivia por 170 bolivianos. No caminho, mirantes a 4.435 metros com vista para o Illimani, a segunda montanha mais alta do país, e até um pedaço do lago Titicaca. A laguna, também chamada de Laguna Esmeralda, fica aos pés do Nevado Charquini, a uns 5.000 metros; subimos uns 585 metros de desnível.
3. Pico Austria (5.320 m). No Parque Condoriri. Apesar de alto, é bem acessível comparado às montanhas vizinhas: uma ótima etapa para quem está se preparando para o Huayna Potosí.
a laguna do Condoriri
4. Pico Tarija (5.200 m). Também no Condoriri, e técnico: grande parte é por glaciar, com várias gretas. Dormimos num refúgio perto da base, a 4.661 metros, e saímos às 3 da manhã, porque de madrugada a neve está mais firme e o risco de avalanche é menor. Era a primeira vez no gelo, com bota dupla, crampons e piolet, e lua cheia refletindo no glaciar. A GoPro congelou e só gravava quatro segundos, mesmo com as baterias guardadas no corpo.
O Huayna Potosí
O campo base fica a 4.800 metros. Dali, uma trilha de pedras arrumadas como escada, bem marcada mas puxada pela altitude, sobe até o Campo Alto, a uns 5.270 metros. No meio da trilha tem o posto de registro, com passaporte e taxa de 50 bolivianos por pessoa (valor de 2022). Um porteador, o Diego, levou os equipamentos mais pesados, e para montanhistas de primeira viagem em alta montanha, toda ajuda é bem-vinda.
Em vez do primeiro refúgio, o mais conhecido, o Julio levou a gente a um refúgio mais alto, com cama e cozinha. A vantagem: de madrugada você anda só uns 30 ou 40 metros e já calça o crampon na neve, sem ter que subir a parte de pedra no escuro.
o refúgio do Campo Alto
A saída para o cume foi de madrugada, com uns 8 graus negativos. No caminho tem um trecho de corda fixa, os penitentes (formações de gelo pontudas esculpidas pelo vento) e uma parede de gelo com uma greta logo abaixo. Deu tudo certo, e chegamos ao cume: 6088 metros.
o glaciar, a caminho do cume
O que a gente aprendeu
- Aclimatação é tudo. Não pule etapas: cidade, depois 5.000, depois 5.300, só então 6.000.
- Dormir na altitude é cansativo e difícil. Conte com isso.
- Nada de álcool na véspera. Um vinho “para esquentar” na noite anterior não ajudou em nada.
- Equipamento: na montanha você vê o valor de cada peça: corta-vento, pluma, segunda pele. Leve tudo.
- Cabelo: trancinhas e gorro aguentam dias sem banho e protegem do sol e da poeira.
- Guia: vá com um guia experiente da região. As gretas não perdoam.
Altitudes: Huayna Potosí 6088 m, Pico Austria 5320 m, Pico Tarija 5200 m, Laguna Charquini cerca de 5000 m. Valores e preços de outubro de 2022. Os trajetos estão no nosso Wikiloc: Laguna Charquini, Pico Austria, refúgio do Condoriri, Pico Tarija, Campo Alto e cume do Huayna Potosí.
a história completa



