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O Tata de mochila coberta pela capa azul, olhando a estepe da Patagônia chilena com um paredão de rocha ao fundo

guia do lugar

Fjällräven Classic Chile: 73 km em 4 dias por trilhas inéditas da Patagônia

Última Esperanza, Patagônia Chilena4 min de leitura

Em dezembro de 2024, a gente foi convidado pela Fjällräven Brasil para a primeira edição do Fjällräven Classic na América do Sul, no Chile. Foram 73 km em quatro dias, com uns 3.000 metros de ganho acumulado, perto de Torres del Paine, mas não pelo circuito W, o clássico do parque. O percurso passa por propriedades privadas, terras de gaúchos que vivem da criação de ovelhas, por onde pouquíssimas pessoas já caminharam.

O Fjällräven Classic nasceu em 1979, na Suécia, com a ideia de levar gente para a natureza. Hoje acontece em sete países. Os dois episódios estão no canal (dia 1 e dias 2 a 4), e como a gente fez caber tudo numa mochila de 35 L está no post sobre a mochila de 35 L para 4 dias de trilha.

Antes de começar: Puerto Natales e o kit

O evento começa em Puerto Natales, num barracão cheio de trilheiros, com palestras e a retirada do kit. No kit:

  • Passaporte: em cada checkpoint você carimba. Sem todos os carimbos, nada de medalha (e de presente) no final. Leve num saquinho plástico, porque chove.
  • Mapa impresso do percurso (a gente levou também no relógio).
  • Fogareiro e gás, um por pessoa (casais podem levar um só).
  • Papel higiênico com saquinho para trazer o papel de volta, e trash bag para todo o lixo.
  • Comida liofilizada sueca para os dois primeiros dias. Os outros são entregues no caminho.

Os guias do evento explicaram o espírito do percurso: nada de hotel de montanha ou banho quente como no W; é campo aberto, e a regra é deixar o lugar melhor do que encontrou.

Os banheiros

Nos acampamentos, o banheiro é um assento com saco plástico individual. Usou, fecha o saco e põe na bombona, que a organização leva e descarta corretamente. É bem tranquilo, e é um ótimo jeito de ter a primeira experiência de acampamento na montanha.

Dia 1: a maior subida

O primeiro dia é o mais duro: a maior subida dos quatro, até o ponto mais alto do percurso, que nem chega a 1.000 metros. São uns 14 km, com dois checkpoints (Dos Lagunas, na largada, e Cerro Moro). A gente foi devagar, gravando e conversando, e levou 8 horas. Lá em cima o vento vem forte e gelado.

Aprendizado do dia: deu vontade de ir ao banheiro? Vá quando aparecer um bosque. Dali em diante o terreno é descampado.

No acampamento, procure um canto protegido do vento (que vinha do norte, da montanha). Tem riacho para pegar água e regra para usar: de um lado da ponte é água limpa para cozinhar, do outro é para lavar.

Barraca laranja montada no gramado do acampamento, com o paredão de rocha da Patagônia ao fundo o primeiro acampamento

Dia 2: a meia maratona

O dia mais longo: 20 a 21 km, mas com pouco ganho de elevação, uns 200 metros. É caminhar, caminhar, caminhar. Você pula várias cercas das estâncias e passa por bosques de lenga. O primeiro checkpoint, na Estância Guido, fica a 9 km, num bosque lindo, com chá de menta. O acampamento fica perto de uma laguna.

Dias 3 e 4: até a linha de chegada

O terceiro acampamento era um bosque em labirinto, sem um grande espaço plano: cada um vai achando o seu canto. Pegue só o espaço da sua barraca e deixe lugar para os outros. A gente dividiu o nosso com uma família sul-coreana.

O quarto dia sobe até o meio e desce até o fim, com o cansaço acumulado pesando. As torres de Paine ficam no horizonte, quando as nuvens deixam. No último checkpoint, na Laguna Pero Constante, tinha calafate de presente. Na chegada, festa com banda ao vivo.

Vista de drone da área de chegada, com as tendas no meio do campo verde e a mata ao redor a linha de chegada

Dicas

  • Clima: a Patagônia pode ter mil climas num dia. Saco de dormir e pluma em saco estanque: se molhar, acabou o isolamento.
  • Comida: a liofilizada sueca é boa, mas muitos sabores são apimentados (curry, tikka masala, chili, beef stew). O de salmão não é. Deixe o feijão hidratar mais tempo.
  • Embalagem: depois de comer, dobre a embalagem para ela ocupar pouco espaço no saco de lixo e não sair voando.
  • Ritmo: é um evento, não uma corrida. Dá para ir devagar, conversar e aproveitar.

O relato é da primeira edição, em dezembro de 2024, e o trajeto completo está no nosso Wikiloc. Inscrições pelo site oficial do Fjällräven Classic.

a história completa

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